ATL cobra Lula por demarcação e lembra promessa que ainda pesa sobre o governo

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No ATL 2026, os parentes reconheceram avanços do governo federal na retomada da política indigenista, mas voltaram a cobrar o que segue travado: a assinatura de homologações, a emissão de portarias e o cumprimento da promessa feita por Lula, em 2023, de não terminar o mandato com Terras Indígenas pendentes de demarcação.

O Acampamento Terra Livre deste ano colocou o governo Lula diante de uma cobrança que vem dos territórios e já não cabe tratar como detalhe. Em meio às marchas, plenárias e denúncias feitas em Brasília, uma das mensagens mais fortes destes dias foi dirigida diretamente ao presidente: a demarcação precisa andar.

Em 2023, no próprio ATL, Lula disse que não queria terminar o mandato deixando nenhuma Terra Indígena sem demarcação. Naquele momento, a fala foi recebida como sinal de retomada depois de anos de ataque aberto aos direitos indígenas. Três anos depois, o cenário é outro. Houve passos importantes, mas a lentidão continua pesando onde sempre pesou: no território.

No ATL, a cobrança veio com número e com nome

Durante esta edição do acampamento, a APIB informou que cerca de 76 Terras Indígenas estão prontas para homologação e dependem apenas da assinatura presidencial. Outras 34 ainda aguardam portaria do Ministério da Justiça. Esses números deram forma concreta ao que muitas lideranças vêm dizendo há meses: há processos maduros parados enquanto a situação nos territórios continua apertando.

Foi esse acúmulo que apareceu na marcha de 9 de abril, com o lema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. Os parentes não saíram às ruas para cobrar gesto simbólico. Foram lembrar ao governo que terra sem demarcação segue exposta a invasão, conflito, ameaça e morte.

Os avanços existem, e ninguém precisa fingir que não

Também não seria honesto dizer que nada mudou desde 2023. O governo sustenta que, nesse período, foram homologadas 20 Terras Indígenas e assinadas 21 portarias declaratórias, além de outros passos em processos de identificação, delimitação e constituição de reservas. A criação do Ministério dos Povos Indígenas também entrou nesse processo de reconstrução institucional que o movimento indígena vinha cobrando há anos.

Esses avanços existem. O problema é que eles ainda não resolvem o tamanho da fila nem a urgência de quem está vivendo sob pressão. Quando a assinatura não sai, o processo emperra em Brasília, mas a violência não espera. Invasão, ameaça, garimpo e conflito continuam chegando antes da decisão do Estado.

O governo é cobrado porque assumiu compromisso

No começo do ATL 2026, a Agência Brasil registrou que lideranças esperavam um encontro com Lula para tratar justamente da celeridade nas demarcações. Essa expectativa não nasceu do nada. Desde o início do mandato, este governo se apresentou como contraponto ao bolsonarismo na pauta indígena. E foi o próprio Lula quem levantou esse compromisso diante do movimento indígena.

Por isso a cobrança cresce. Os parentes sabem que não estão diante do mesmo projeto político do governo anterior. Mas também sabem que promessa feita no ATL não pode virar só lembrança de discurso. Quando uma palavra dessas é dada diante das lideranças, ela passa a ser medida pelo que sai da caneta.

O recado do acampamento foi de cobrança séria

No ATL 2026, essa mensagem apareceu de vários jeitos: na carta de abertura, nas falas das lideranças, nas plenárias e nas marchas. Ninguém foi para Brasília negar os passos que já foram dados. Mas também ninguém foi para aliviar o que segue atrasado. O tom do acampamento foi de cobrança firme.

As organizações indígenas já apresentaram os números. Já mostraram o tamanho da fila. Já lembraram quantos processos dependem de decisão política para avançar. O que está em discussão agora não é falta de informação. É falta de velocidade diante de um problema que continua custando caro para quem vive no território.

É isso que o ATL devolve a Lula

No fim, o que o acampamento devolve ao presidente é o compromisso que ele mesmo assumiu em 2023. Se essa promessa continua valendo, ela precisa aparecer em homologação assinada, em portaria publicada e em território protegido. O discurso, sozinho, já não responde ao tamanho da espera.

Esse foi um dos recados mais fortes do ATL 2026 para Lula: houve retomada, houve mudança de rumo, mas ainda falta destravar o que está pronto e fazer a demarcação chegar onde ela segue sendo esperada há anos. Para quem vive essa luta de perto, cada demora tem consequência concreta.

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